sexta-feira, 1 de maio de 2015



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Boca n.º 16: A TAP vai falir?

Nos últimos dias não se falou de outro assunto a não ser a greve na TAP. Pois bem, ela aí está. Dez dias de aviões em terra. Quem é que tem razão? A resposta é simples e por demais evidente: independentemente das razões que assistem a qualquer das partes, os contribuintes em geral e os passageiros em particular são os únicos prejudicados sem terem contribuído rigorosamente nada para que as coisas chegassem a este ponto. Portanto, são os únicos que têm inteira razão para estarem insatisfeitos em todo este processo.
Se perguntarmos a um contribuinte que nunca tenha tido o privilégio de voar num avião da TAP sobre o destino a dar à empresa a resposta será curta e grossa: fecha-se essa m…da. E porquê? Porque os portugueses estão fartos de guerras intestinas no interior da empresa; porque os portugueses estão cansados de pagar os encargos derivados de más opções gestionárias da empresa, e; porque os portugueses já não suportam as derivas políticas quanto ao futuro da empresa. O cidadão comum está agastado com toda esta situação e está pura e simplesmente a marimbar-se para o modelo a seguir na TAP desde que acabem com estado actual e não lhe peçam mais dinheiro no futuro.
Independentemente da razão que eventualmente assista aos pilotos a ideia que se instalou no público é que eles não percebem que estão a voar em aviões de uma empresa que por enquanto se chama TAP pertencente a um país que se chama Portugal onde vivem alguns milhões de portugueses que nos últimos anos têm sofrido as passas do Algarve. No cidadão comum instalou-se a convicção de que, quando voam a não sei quantos milhares de pés de altitude, os pilotos não têm um único segundo para tirar os olhos do painel de instrumentos e verem o que se passa cá em baixo. A ideia que fica é a de que a vida deles é voar, aterrar e ir para o hotel ou para casa, sem terem a mínima percepção do que existe à sua volta.
Se prestassem mais atenção os pilotos veriam que há milhares e milhares de portugueses muitíssimos qualificados, que trabalham que nem uns galegos e mal têm onde cair mortos. Se prestassem mais atenção sabiam – se é que não sabem - que cá em baixo há muita gente que não trabalha menos, e com tanta ou mais responsabilidade, sem ter metade das mordomias. Profissões que têm directamente a ver com a segurança e a vida das pessoas há dezenas delas; trabalhadores que exercem a sua actividade em horários irregulares são aos milhares; actividades que exigem elevadas qualificações técnicas são mais que muitas. Sabem quanto o país paga a estes trabalhadores? Justa ou injustamente paga-lhes aquilo que a força das circunstâncias permite pagar.
Estamos na Península Ibérica, não estamos na Península Arábica. Aqui os aviões não enchem os depósitos de combustível ao preço da uva mijona. Mas, curiosamente, num sector onde, diz-se, há sempre colocação para pilotos experientes, o povo não percebe uma coisa: se os pilotos estão mal na TAP porque é que não vão pregar para outra freguesia que é como quem diz voar para uma companhia do médio oriente onde sejam pagos a peso de ouro e tenham todas as regalias a que julgam ter direito? A resposta é conhecida. Não vão porque se calhar as coisas não são bem como as pintam e porque sabem que se lá fizessem um décimo das tropelias que por cá fazem – tipo greve de dez dias – se não iam imediatamente para o olho da rua ficavam em lista de espera.
Parece que um dos motivos que conduziu à greve foi a exigência de terem tratamento preferencial num futuro processo de privatização em cumprimento do que ficou previsto em acordo firmado há alguns anos com o Governo. O prometido é devido, é verdade. Mas não é menos verdade que não se pode prometer o sol ou a lua a ninguém. Uma promessa deste tipo não pode nem deve ser levada a sério. Por que não prometer parte das escolas aos professores; parte dos hospitais aos médicos; partes de todos os organismos públicos aos seus funcionários, sempre que estes decidam fazer uma greve? Para o povo não há diferença rigorosamente nenhuma: TAP, escolas, hospitais, repartições de finanças, etc., “tudo pertence a todos; e nada pertence a ninguém”. Portanto, quem prometeu o que não lhe pertencia mais valia estar quieto e quem acreditou na validade da promessa foi tão ou mais tonto do que quem prometeu. 
A propósito ocorre-nos uma pergunta. Só pelo facto de não poderem fazer greve os polícias não têm direito a reivindicar parte das esquadras e os militares não têm direito a exigir parte dos quartéis? Dos quartéis é uma força de expressão porque quando se tem parte de uma empresa tem-se parte das instalações, equipamentos e tudo o resto, no caso quartéis, aviões, navios e carros de combate. Havia de ser lindo. E para pôr uma avião a voar não é preciso pessoal de manutenção e pessoal de abastecimento? Não são necessários controladores aéreos? Este pessoal não é igualmente importante a ponto de ter também uma participaçãozita na empresa ainda que seja funcionário de outras? Do mesmo modo os médicos, enfermeiros e auxiliares de acção médica; os professores e os auxiliares de acção educativa, e, por que não; os oficiais, os sargentos ou as praças.
O povo já tem a TAP pela raiz dos cabelos. A TAP que vá para o charco doa a quem doer e quem está mal que se mude. Se o BES era privado, deu o badagaio e no final sobrou – ou há-de sobrar - para o contribuinte, por maioria de razões a TAP pode também dar o berro que o contribuinte já sabe quem vai pagar a factura no final. Que vá à falência e quanto antes melhor porque cada dia que passa a conta aumenta. O povinho não precisa de ser jurista ou economista para saber como as coisas se vão passar porque a escola da vida já lhe ensinou como o processo decorre. É assim: a fruta podre vai directamente para o caixote do lixo a fim de ser processada internamente; a fruta que estiver em condições fica na montra para estrangeiro ver, provar e, quem sabe, levar.
Sim. Estrangeiro levar porque dai até comprar vai uma grande distância. Qual o investidor que no seu perfeito juízo vai comprar um cesto de fruta bolorento onde se aproveitam apenas duas ou três laranjas e meia dúzia de bananas? Nenhum. Quando muito oferece-se para levar o cesto da fruta de borla e por especial favor, e no imediato porque se for daqui a algum tempo nem isso. E têm razão. Quem deixa apodrecer a fruta que aguente o cheiro advindo da decomposição.
Por isto, o cenário está tal qual o tempo: farrusco e chuvoso. A TAP vai cair de podre com pouco mais de setenta anos de idade, ou seja, bem abaixo da esperança média de vida para as mulheres que nesta altura já está bem acima dos oitenta. A greve que agora se inicia vai fazer alastrar o bolor às poucas peças de fruta que teimavam em permanecer sãs e que ainda faziam com que o cabaz fosse globalmente vistoso e apetecível para o comprador. Estamos a falar, percebe-se, da reputação. 
Quem irá querer uma mulher que além de feia tem má fama? Essa treta de que a fruta nacional tem mau aspecto mas é boa vale para consumo interno mas lá fora não vinga. Vão a uma exposição internacional mostrar as nossas maçãs bichadas ver se alguém lhes pega ainda que digamos que são biológicas. Não têm melhor compra as maçãs golden de produção intensiva mesmo que não tenham sabor nenhum? Com a reputação passa-se precisamente a mesma coisa. O que parece é. E neste campo já não se tem dúvidas de que a TAP é aquilo que parece ser: uma companhia onde ninguém se entende e com a qual, volta e meia, os passageiros ficam apeados. E quando assim é, digam o que disserem, os passageiros pensam duas vezes no momento de comprar o bilhete. É da natureza humana: “para chegar tarde e a más horas vou a pé. Sei que tenho de sair mais cedo mas tenho a certeza que chego a horas”. Ora, na conjuntura actual não há necessidade de andar a pé porque as ofertas são mais que muitas e os pilotos não ignoram isto. Se a TAP fechar portas alguém vai assumir imediatamente o seu lugar e provavelmente até vai dar emprego aos pilotos que agora fincam pé não se sabe muito bem porquê, mas não pensem eles que estas companhias estão para lhes aparar o jogo tal como a TAP e o povo português tem feito há décadas. 
Terminamos com um convite: para não irem muito longe vão para a Lufthansa ou British Airwais fazer greves de dez dias. Vão para lá com exigências de participação no capital social e com todas as balelas que vos temos ouvido nos últimos anos. Vão ouvir uma resposta que tanto serve em alemão como em inglês: OUT, que, como sabem, em bom português significa "rua", "fora" ou "ponham-se a milhas". 
Querem experimentar?





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